quinta-feira, 19 de março de 2009

O Português não será mais o mesmo


Como já ouvimos falar, a partir de 1º janeiro de 2009 nosso idioma começou a ser usado com algumas novas normas. A implantação do Novo Acordo Ortográfico - que tem como objetivo unificar a Língua Portuguesa em todos os países que a utilizam (Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste) - vem sendo discutida há anos, mas agora tomou forma.

Isso tem gerado algumas discussões e confusões. Se nem os dicionários "se entendem" em relação a algumas palavras que mudaram sua ortografia, imagine como vai ficar o ensino da Língua Portuguesa a partir de agora? É hora de apressar-se - apesar de termos até 2012 para estarmos 100% adequados - em reaprender, pois os livros didáticos deste ano já estão (ou eram para estar) adaptados e os alunos que começaram o processo de alfabetização devem o ser pelas novas normas.

As novas regras

Alfabeto
Com a inclusão do K, W e Y, o alfabeto é agora formado por 26 letras.

Trema
Não existe mais na língua portuguesa - exceto em nomes próprios e seus derivados (Müller, mülleriano).
Exemplos: aguentar, consequência, cinquenta, quinquênio, frequência, eloquente, delinquir, pinguim, tranquilo, linguiça, linguística.

Acentuação
Ditongos abertos com "ei" e "oi" não são mais acentuados em palavras paroxítonas.
Exemplos: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, panaceia, Coreia, hebreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico.
Obs. 1: nos ditongos abertos de palavras oxítonas e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis.
Obs. 2: o acento no ditongo aberto "eu" continua: chapéu, véu, céu, ilhéu.

Os hiatos "oo" e "ee" não são mais acentuados.
Exemplos: enjoo, voo, coroo, perdoo, coo, moo, abençoo, povoo, creem, deem, leem, veem, descreem, releem, reveem.

Não existe mais o acento diferencial em palavras escritas da mesma forma.
Exemplos: para (verbo), pela (substantivo e verbo), pelo (substantivo), pera (substantivo), pera (substantivo), polo (substantivo)
Obs: o acento diferencial permanece no verbo poder (3ª pessoa do Pretérito Perfeito do Indicativo - pôde) e no verbo pôr

Não se acentua mais a letra u nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de g ou q e antes de e ou i (gue, que, gui, qui)
Exemplos: argui, apazigue,averigue, enxague, enxaguemos, oblique.

Não se acentua mais i e u tônicos em paroxítonas quando precedidos de ditongo
Como Será - baiuca, boiuna, cheiinho, saiinha, feiura, feiume.

Hífen
O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos terminados em vogal + palavras iniciadas por r ou s, sendo que essas devem ser dobradas.
Exemplos: antessala, antessacristia, autorretrato, antissocial, antirrugas, arquirromântico, arquirrivalidade, autorregulamentação, contrassenha, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, inrarrenal, ultrarromântico, ultrassonografia, suprarrenal, suprassensível
Obs: em prefixos terminados por r, permanece o hífen se a palavra seguinte for iniciada pela mesma letra: hiper-realista, inter-racial, super-resistente, etc.

O hífen não é mais utilizado em palavras formadas de prefixos (ou falsos prefixos) terminados em vogal + palavras iniciadas por outra vogal
Exemplos: autoafirmação, autoajuda, autoaprendizabem, autoescola, autoestrada, contraindicação, extraescolar, extraoficial, infraestrutura, intrauterino, neoexpressionista, neoimperialista, semiaberto, semiautomático, semiárido, supraocular, ultraelevado.
Obs: esta regra não se encaixa quando a palavra seguinte iniciar por h: anti-herói, anti-higiênico, extra-humano, semi-herbáceo, etc.

Utiliza-se hífen quando a palavra é formada por um prefixo (ou falso prefixo) terminado em vogal + palavra iniciada pela mesma vogal.
Exemplos: anti-ibérico, anti-inflamatório, anti-inflacionário, anti-imperialista, arqui-inimigo, arqui-irmandade, micro-ondas, micro-ônibus, micro-orgânico
Obs: a exceção é o prefixo co. Mesmo se a outra palavra inicia-se com a vogal o, não se utiliza hífen.

Não usamos mais hífen em compostos que, pelo uso, perdeu-se a noção de composição
Exemplos: mandachuva, páraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, párachoque, paravento

O uso do hífen permanece:
- Em palavras formadas por prefixos ex, vice, soto: ex-marido, vice-presidente, soto-mestre
- Em palavras formadas por prefixos circum e pan + palavras iniciadas em vogal, M ou N: pan-americano, circum-navegação
- Em palavras formadas com prefixos pré, pró e pós + palavras que tem significado próprio: pré-natal, pró-desarmamento, pós-graduação
- Em palavras formadas pelas palavras além, aquém, recém, sem: além-mar, além-fronteiras, recém-nascidos, recém-casados, sem-número, sem-teto

Não existe mais hífen:
- Em locuções de qualquer tipo: cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de etc. Exceções - água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa

Pontos elencados por Edmundo Ferreira da Rocha

O PROFESSOR DO SÉCULO XXI

Com a rapidez das mudanças nos dias de hoje, é preciso descobrir como lidar com o acúmulo de conhecimento. O contexto midiatizado do século XXI impõe desafios aos educadores e é preciso estar atento para estender e reinventar a prática educativa, compreendendo o cruzamento e a aproximação de três vetores: tempo, espaço e velocidade.

O educador deve ser flexível e se adaptar às novas regras para garantir uma boa formação dos seus alunos. Neste contexto, enxergar a educação como um processo de desenvolvimento do ser humano e lembrar constantemente que ela não é estática porque acompanha a evolução do mundo é fundamental. Paulo Freire dizia que "ensinar não é transmitir conhecimentos, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção".

Acredito que o professor do século XXI deve funcionar como um facilitador no acesso às informações. Deve funcionar como um bom amigo que auxilia a criança ou jovem a conhecer o mundo e seus problemas, seus fatos, suas injustiças e suas solidariedades, de forma que o aluno possa caminhar com liberdade de expressão e, consequentemente, de ação. Em contrapartida, o aluno deve respeitar o espaço escolar e valorizar o professor, sabendo aproveitar a magia do momento, o encantamento do aprender-ensinar-aprender.

O relacionamento professor - gestor também é fundamental. A seguir, algumas dicas para uma melhor convivência entre gestores e suas equipes dentro do espaço da escola:
  • Antes de qualquer coisa o gestor tem que ser um educador, pois ele deve estar em sintonia com as mudanças que ocorrem todos os dias no aspecto da aprendizagem dos alunos, assim como no aspecto administrativo e financeiro da instituição de ensino.
  • Deve estar sempre em busca de novas ideias, porque o cotidiano entedia o processo de ensino-aprendizagem.
  • Precisa ser um mediador de conflitos, utilizando a justiça restaurativa e tomando decisões que proporcionam o sucesso da escola e a autoconfiança é primordial nesse processo.
  • Tem que possibilitar a interação entre todos os segmentos que fazem parte da comunidade escolar, conduzindo com discernimento as situações problemas que ocorrem no dia-a-dia da escola.
  • Deve adotar práticas interativas e dinâmicas, planejando, organizando, dirigindo e acompanhando o processo educativo, atuando como um verdadeiro articulador das diversidades.
  • O gestor tem que ser flexível e manter atitudes otimistas, positivas e persistentes, conservando sempre o equilíbrio.
  • Deve buscar sugestões da comunidade escolar, analisando as considerações positivas e negativas, enxergando os obstáculos como caminhos preparatórios para alcançar o objetivo proposto porque, afinal, a aprendizagem passa pelos caminhos dos erros e acertos.
  • Não se esquecer que a escola é um grupo social e que o trabalho ali realizado tem que ser coletivo num clima de respeito, solidariedade, apoio mútuo e tolerância; o trabalho em equipe tem que existir dentro de uma instituição educacional para que o processo educativo aconteça, mas a "presença" do gestor é que vai direcioná-lo.
O importante é levar em consideração que a primeira impressão que o professor deixa aos alunos é que vai nortear todo seu trabalho durante o ano.

Cleide Medrado ao Amaral é pós-graduada em Formação Sócioeconômica do Brasil, professora de Geografia e atual Diretora do CEF 10 Ceilândia. Contato: cleidemedrado@yahoo.com.br
Regras básicas para se trabalhar com projetos

Alguns de nossos leitores têm solicitado direcionamentos para elaborar e desenvolver projetos. Primeiramente, temos de definir com clareza o que entendemos por projeto, campanha e processos.

Uma campanha lida com o esforço para se conseguir alguma coisa, isto é, tem-se um prazo e uma meta única que, após atingidos - ou não - a finalizam. Já o processo pode ser definido como um conjunto de ações coordenadas, as quais instituem procedimentos regulares de uma escola e o projeto é um processo intencional, um plano de ações, o qual exige um envolvimento individual e social do aluno nas atividades desenvolvidas, sob a coordenação de um professor, com tempo de elaboração, operacionalização e término predefinido.

Os tópicos propostos abaixo visam orientar o professor para um trabalho mais dinâmico e interativo em sala de aula.

Em que consiste um projeto escolar?
O trabalho com projetos tem a intenção de fazer com que o aluno, ao desenvolver suas atividades, além de estar construindo seus conhecimentos, mostre um produto final resultante dessas ações. Este trabalho visa favorecer o desenvolvimento da autonomia e da autodisciplina em situações apresentadas, tornando o aluno sujeito do seu próprio conhecimento com espírito crítico, empreendedor e inovador.

Sua função também é tornar a aprendizagem ativa, interessante, real e atrativa para o estudante, transportando a educação para um plano, ao mesmo tempo, significativo e agradável. Dentro dessa perspectiva, os conteúdos teóricos e abstratos deixam de ser um fim em si mesmo e passam a ser um meio para a formação de uma realidade crítica e dinâmica do aluno.

Fases do projeto

1. Intenção. Quando se pensa nos objetivos educacionais envolvidos e nas necessidades de aprendizagem, trabalha-se com a escolha do tema e a identificação do nível de conhecimento e das hipóteses. Aqui se define o que será trabalhado.

2. Preparação. Montam-se textos e buscam-se meios para o levantamento de atividades de participação ativa e comprometida com a coleta do material bibliográfico, ou outro necessário.

3. Execução. Equipes são organizadas e, a partir disso, são distribuídas as responsabilidades, tarefas, para a execução propriamente dita do que foi planejado.

4. Apreciação. Momento em que se processa a avaliação do trabalho realizado e sua realimentação com informações novas, questões esclarecidas, conclusões construídas e o crescimento evidenciado pelos alunos durante a realização do projeto.
Organização

Organizar um projeto consiste em, essencialmente, destacar:

A atividade dirigida para uma meta bem definida. Ao final do projeto, o resultado deve ser evidente, concreto, materializado ou apresentado em mudança de comportamento.

Um fim específico. Quanto menos amplo o tema, maiores as possibilidades de êxito.

A responsabilidade. O projeto é uma tarefa determinada pelos alunos, desta maneira o comprometimento torna-se muito maior.

Uma avaliação contínua. Para atingir a meta, os meios devem ser alterados sempre que se identificar essa necessidade.

Dados significativos. A caracterização do projeto é o tratamento dado a esse tema e não sua origem, ou seja, o que o aluno é capaz de fazer com os dados coletados, a fim de torná-los significativos.

Resultados criativos e interessantes. Para obtê-los, o trabalho deverá ser desenvolvido através de atividades ricas e variadas.

Diretrizes Como alguns passos devem ser respeitados, seguem sugestões:

1. Escolha do problema.

2. Planejamento.

3. Organização de equipes.

4. Execução das tarefas.

5. Readequação do tempo - quando necessário - para o cumprimento das tarefas.

6. Apresentação de relatórios do que já foi cumprido.

7. Divulgação em exposições, palestras a novas turmas, confecção de livro, relatórios e outros.

8. Apreciação final com avaliação do projeto ou questionário sobre ele.
Vantagens pedagógicas
  • Leva os alunos à pesquisa e proporciona atividade intelectual extensa.
  • Trabalha conteúdos "vivos".
  • Segue o princípio da ação organizada para se atingir o fim.
  • Possibilita a aprendizagem real, ativa, interessante e atrativa.
  • Induz à prática funcional e integradora.
  • Estimula o planejamento e a execução com recursos próprios dos alunos.
Limitação
O trabalho do professor deve acontecer no sentido de orientar, caso contrário, existe o perigo da excessiva interferência de sua autoridade. Quando preocupado com os conteúdos programáticos, o educador chega a transformar o projeto em uma coordenação estereotipada de lições em torno de um tema, às vezes de pouco interesse aos alunos.

Algumas regras básicas são importantes para fazer com que seu aluno tome ciência da importância do trabalho desenvolvido e se integre ao processo:

1. Procure iniciar suas atividades sempre no horário, assim, vão se criando hábitos também no aluno.
2. Cumpra sempre as atividades propostas, a não ser que surja algum imprevisto. Isto também deve ser repassado ao aluno para que o mesmo possa ajudar a reprogramar a atividade e desejar que haja sucesso em seu desenvolvimento.
3. Compartilhe suas idéias para que o aluno também possa contribuir na melhoria da atividade.
4. Ponha ordem na sala ou trabalhe com regras para que sejam criados o respeito às individualidades e às diferenças.
5. Procure atender a todos sempre que um expõe seu ponto de vista, falando um por vez. Assim, você ajuda a manter a auto-estima de todos.
6. Procure tratar a todos de maneira igual, desta forma você também será respeitado e benquisto.
Seu projeto será um sucesso, se você:
1. Trabalhar sempre com regras. 2. Estabelecer objetivos a serem atingidos.
3. Realimentar o processo.
4. Compartilhar os resultados obtidos.
5. Rever os erros de percurso para corrigi-los.
6. Projetar os passos futuros.
7. Construir o processo junto com os alunos.
8. Orientar o estudante quando houver dificuldades.

Matéria publicada na revista Profissão Mestre.

Priscila Conte
priscila.conte@humanaeditorial.com.br

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

2009

VAMOS FAZER DE 2009 O MELHOR ANO DE NOSSAS VIDAS....

200INOVE..........